Em 2026, as portagens na Europa mudam significativamente: tornam-se mais digitais, mais ligadas às emissões poluentes e, em muitos casos, mais caras ou complexas.
Estas mudanças afetam especialmente o transporte profissional, embora também tenham impacto nos condutores particulares.
Um novo modelo de portagens mais digital e sustentável
A principal mudança na Europa é a transformação do sistema para um modelo mais tecnológico e ambiental.
As portagens deixam de ser tarifas fixas e passam a ser calculadas com base em múltiplas variáveis:
- Emissões de CO₂ do veículo
- Distância percorrida
- Tipo de veículo e peso
- Utilização real da infraestrutura
Esta evolução responde à regulamentação europeia, que promove um sistema em que quem mais polui paga mais.
Além disso, a revisão da Diretiva Eurovinheta reforça a aplicação de tarifas baseadas nas emissões a partir de julho de 2026, com o objetivo de harmonizar os sistemas entre países.
Portagens baseadas no CO₂: a grande novidade de 2026
Uma das mudanças mais importantes é a introdução generalizada de portagens em função das emissões poluentes.
A partir de 1 de julho de 2026:
- Os veículos pesados pagarão de acordo com o seu nível de emissões
- Os veículos mais limpos terão tarifas reduzidas
- É incentivada a renovação das frotas para modelos menos poluentes
Este sistema representa uma mudança estrutural no transporte europeu, uma vez que introduz critérios ambientais diretos no custo de circulação rodoviária.
O Certificado de Conformidade (COC) também pode desempenhar um papel relevante no contexto dos novos portagens europeus, especialmente para veículos pesados.
Este documento certifica as características técnicas do veículo, incluindo as suas emissões de CO₂, um dado fundamental para calcular as tarifas nos sistemas de portagem baseados em critérios ambientais.
Na prática, dispor do COC facilita a classificação correta do veículo nas plataformas de portagem eletrónica e evita erros que poderiam resultar em custos adicionais, especialmente em países onde o preço depende diretamente do nível de emissões.
Digitalização e portagens sem barreiras (free-flow)
Outra das grandes mudanças é a implementação de sistemas de portagem sem barreiras físicas.
Por exemplo:
- Alguns países adotam sistemas «free-flow» com câmaras e sensores
- A cobrança é efetuada automaticamente sem parar o veículo
- Reduz-se o congestionamento e melhora-se a fluidez do tráfego
Um caso de destaque é a Croácia, que implementará este modelo em 2026 para eliminar as cabines de portagem tradicionais.
Além disso, alarga-se a utilização de dispositivos eletrónicos (OBU) e tecnologias de satélite para calcular as portagens com base na distância real percorrida.
Mudanças por país: aumentos, eliminações e novas normas
As mudanças não são uniformes e cada país introduz medidas específicas:
Países Baixos
- Substituem a Eurovinheta por um sistema por quilómetro
- Utilização obrigatória de dispositivos a bordo
- Entrada em vigor em julho de 2026
Alemanha
- Os camiões elétricos começam a pagar parcialmente
- Ajuste do sistema para incluir novas categorias
França
- Avanço do sistema free-flow
- Alterações nas concessões e tarifas
Espanha
- Aumento das portagens nas autoestradas concessionadas
- Algumas autoestradas passam a ser gratuitas (como troços da AP-7)
Portugal
- Eliminação de portagens em determinados troços
- Ajustes nas tarifas e isenções
Áustria e Bélgica
- Tarifas mais ligadas às emissões e ao ruído
- Aumentos de preços e ajustes anuais
Em geral, a Europa combina aumentos de preços com incentivos ambientais e a eliminação seletiva de portagens em algumas vias.
Aumento dos preços nas estradas europeias
Paralelamente às mudanças tecnológicas, muitos países aplicam aumentos nas tarifas em 2026.
Exemplos:
- Áustria: aumentos significativos em função das emissões
- Polónia: aumento médio superior a 5%
- Itália e Grécia: aumentos moderados
- França: aumento médio próximo de 1%
Estes aumentos respondem à inflação, à manutenção das infraestruturas e à transição para sistemas mais avançados.
Impacto nos transportadores e condutores
As alterações nas portagens terão consequências diretas no setor dos transportes:
- Maior complexidade operacional para as frotas
- Necessidade de adaptar veículos e tecnologia
- Aumento dos custos para veículos mais poluentes
- Incentivo à eletrificação
Em última análise, estes custos podem repercutir-se no preço final dos produtos transportados por estrada.
Perguntas frequentes
Respondemos às perguntas mais comuns sobre as novas alterações no sistema de portagens na Europa para 2026.
Quando entram em vigor as novas portagens?
A data-chave é 1 de julho de 2026, quando começam a ser aplicadas as tarifas baseadas nas emissões em vários países.
O que é a Eurovinheta e o que muda?
É um sistema de portagem para camiões na Europa. Em 2026, será reformulado para incluir critérios de CO₂ e, em alguns países, será substituído por portagens por distância.
Haverá mais ou menos portagens na Europa?
Ambas as coisas: alguns países eliminam portagens em determinadas vias, mas, em geral, aumentam as tarifas e alarga-se a utilização de sistemas de pagamento.
Isto afeta os carros particulares?
Principalmente os camiões, mas os condutores particulares também verão mudanças nos preços e nos sistemas de pagamento em alguns países.
O que é o portagem free-flow?
Um sistema sem barreiras onde a cobrança é feita automaticamente através de câmaras ou dispositivos eletrónicos.
Conclusão
O ano de 2026 marca um ponto de viragem nas portagens na Europa.
A transição para sistemas digitais, a utilização de critérios ambientais e a harmonização normativa transformam completamente a forma de pagar pela utilização das estradas.
Embora estas mudanças visem uma mobilidade mais sustentável e eficiente, também implicam custos mais elevados e uma adaptação obrigatória para transportadores e utilizadores.
